Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!
Se eu morresse amanhã! - Álvares de Azevedo
Desaparecer. Como essa palavra tem sido tentadora, nos últimos dias. É claro que sabemos que minha vontade para tudo é sempre tão grande que eu não conseguiria mover um músculo, mas desejo profundamente que o sono embale meus pensamentos confusos e meu tão solitário caminhar. É como se todo o sentido da minha existência tivesse sido arrancado enquanto eu estava distraída, e quando dei-me por mim, já não sabia onde estava e o porquê. O choque de ver-me novamente perdida fez com que eu parecesse envelhecer anos, e não consigo parecer outra coisa senão cabelos enrolados atrapalhadamente, olhos fundos e sem vida, vestes apagadas e nem um pouco femininas. As pessoas estão dando indiretas - ou realmente diretas, mesmo! - quanto a meu comportamento e ando me sentindo como uma doente fora do hospício. Deveria um procurar ajuda lá? Talvez eu encontrasse alguém tão louco quanto eu, e pudesse finalmente me entender e cuidar desse alguém. Quem sabe...
Me perguntei hoje quem sou eu. E sabe qual a maior das surpresas? Eu não faço ideia! Não sei mais o que quero, o que sinto, do que gosto e para quê vivo. Acho que no fundo, agora que a minha necessidade de ter alguém está em sono profundo, acredito que vivo por uma certa obrigação, porque sei que se não ficar aqui, estou errada. E eu não suporto ser descoberta e punida - punida com palavras, que dilaceram minha alma -. Por isso tento me manter na linha. Em todos os sentidos. O céu nublado dos últimos dias parece só fortalecer ainda mais a certeza de que não há mais cores para dar vida na minha rotina, e não duvido se voltar a sentir tudo de novo, como um bebê que acaba de nascer, todas as sensações e emoções caso notar que ainda sobrou um resto de tinta para pintar essa tela enorme que é a vida.
Mas por hora, só desejo continuar quieta na minha, esperando que minhas doenças, sendo psicológicas ou não, tomem conta do meu corpo até que esse maldito parasita nade livremente em meu sangue. Mas ainda vou cuidar daqueles que não me decepcionaram, esse é o meu dever. O fim dos meus dias, tenho certeza, será sem dores e repleto de amores.
Hoje eu me perguntei se, já que temos direito à vida, será que também não deveríamos ter direito à morte?
ResponderExcluirP.S.: sabe o que eu realmente também me pergunto? Se você monta e edita seus textos até deixá-los prontos ou se apenas escreve na própria página do blog e posta. Porque eles são ao mesmo tempo bem-elaborados e muito espontâneos, então fica díficil saber (:
Bem, você de alguma forma descobriu tudo aquilo que eu ando querendo gritar, sim.
ResponderExcluirAliás, o layout do seu Blog sempre cada vez mais lindo.
Nossa, que profundo seu texto. Parece que foi escrito através da parte mais profunda da alma.
ResponderExcluirÀs vezes, ainda tenho medo de viver. Às vezes, eu gostaria de simplesmente ir embora!
Sim, Lu, eu crio meus textos na hora, na página do blog. xD Assim sai tudo na hora, sem rodeios. Como um diário. (: E obrigada. sz
ResponderExcluirObrigada, Ari, eu tinha certeza de que aquilo que você sentia não era diferente do que eu sinto.
Ana, acredito que nós estamos tão presas à realidade e tão obcecadas pela fantasia que acontece isso, essa vontade de sumir. :/ Pena que nem tudo é como gostaríamos.