Olhe para mim. Diga que me ama, me conforte nesses braços que eu tanto quero e então estarei em casa novamente. Você me rouba o sono, o agora e o futuro, incessante e atrevido como nunca vi igual.
Olhe para mim. Sou mesmo aquilo que sempre desejou?
"Jeito triste de ter você... Longe dos olhos e dentro do coração."
(Autor Desconhecido)
A saudade me sufoca e o silêncio me agride, me torna estática e com a impressão de que a vida que tão cuidadosamente foi posta em minhas veias hoje escorre como as lágrimas que derramo todas as noites. Eu não quero estar assim, nessa dúvida entre sonho e pé no chão. Mas é hábito meu sempre querer oito ou oitenta.
Olhe para mim. Eu posso lhe dar o mundo, se assim desejar. Posso atravessar um oceano só para te ter, se não fossem tão frias as águas que outrora ferviam.
Meu amor transborda por todos os poros, mesmo com a doce desilusão de que estar ao seu lado já não é algo mais tão possível. Sua escolha pela solidão não melhora meu estado, por outro lado, só me tira o resto das forças.
Olhe para mim. Eu estive sempre com a mão estendida a seu favor, sempre em busca de fazer a diferença para alguém para então ter alguma nesse mundo caótico e deveras humilhante. Humilhante, sim. Nos faz pequenos e nos chuta ou ergue quando bem entende, sempre pregando peças, nos enganando.
E então eu olho para mim. Figura simplória e que provavelmente não irá conseguir fazer a diferença na vida de ninguém. Choro. Por que me sinto tão frustrada? Mais uma vez, sinto vontade de sumir desse mundo.