Você abre buracos, feridas repentinas em mim para depois costurá-las, ponto a ponto, beijando lentamente cada corte que as tuas próprias mãos abriram e limpando as manchas de sangue sobre a minha pele. Como se eu fosse uma boneca, um cnidário de sistemas difusos ou então uma rosa sem espinhos, você me parte em pedaços para descobrir se eu sou capaz de me regenerar.
Será que agora nós nos tornamos servos da tirania dos nossos próprios sentimentos? Não consigo evitar a sensação de que quanto mais eu deixá-lo ver quem sou, mais estarei condenando a mim mesma - e talvez este seja aquele prazo esmagador que parece sempre prestes a se esgotar.
Me desculpe por tentar me convencer de que ao menos uma entre todas as coisas que de tão cheias de sentido acabaram por tornar-se vazias pudessem te interessar, e mais ainda por me deixar desmaiae nos teus braços, tão certa de que você me seguraria.
*de Luciana Nogueira - do blog Anjos Histéricos

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