sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Despedida/Lucidez

Por que você não é normal como todo mundo? Por que você não deseja coisas possíveis como todo mundo?

Somos uma pequena porcentagem.
Ovelhas negras em um mundo pintado com cal.
Monstros vistos de longe
Mas um bando de mocinhos na terra dos vilões
Perdidos, procurando por uma casa que não existe.
Por um mundo que nos entenda
Que saiba que nós existimos
Ou que nos esqueça de uma vez

Somos a verdade no meio de toda a mentira.
Somos mais que a futilidade, mais que os desejos tolos e humanos.
Mais do que só procurar pela felicidade eterna...
Viver em um tipo de tristeza desejando a felicidade...
Mas não acreditando nela.

Uma gota de piche nesse mar azul.
Nesse mar salgado.
Somos um bando de rebeldes
Rebeldes com causa
Rebeldes com vontade
Mas muitas vezes sem força

Somos rebeldes apenas com palavras de lamento
Palavras de desespero
-

Somos o contrário da sociedade
O contrário daquilo que nós vemos no mundo
Muitas vezes não sabemos o porquê
Somos aqueles que andam em busca da vida
Em busca da morte
Sem meio termos
Em busca de uma paz eterna e cerveja barata

E a nossa casa está longe
Não há um telhado de açúcar
Não há doçura
Há um porão vazio, um porão onde ficamos trancados pela vida
Sussurrando palavras de angústia
De tristeza
De infelicidade
Palavras que esquecemos quando vemos alguma luz
Ou um rato bagunçando nossos cabelos
No meio da escuridão

Somos uma dor irremediável
Somos gritos mudos
Gritos que reverberam apenas dentro de nós mesmos
Somos o medo, um medo inesgotável
Somos a paixão insaciável
Uma tristeza
Uma agonia infinita
Que simplesmente desaparece quando a esquecemos por um dia
-

Somos a verdade no mundo da mentira
A verdade da própria verdade
Somos mais do que pessoas que amam vampiros
Vão à cemitérios
Escutam música deprimente e
Cortam os pulsos.
Somos nós, algo diferente nesse mundo
Mas mais do que diferente, especial
Somos uma cultura vista por aqueles do lado de fora como algo anormal
Algo fora dos padrões, algo rebelde.
É a isso que sempre volta, a rebeldia.
Quando na verdade, é só um outro mundo que criamos dentro desse.
Longe da matança e das balas perdidas
Perto de fantoches sem cabeça e caixões estofados.

Por que você tem que desejar tanto?
Por que não pode ser como eles?
Todos eles, esses que estão realmente perdidos
Que não sabem o que querem
Que não sabem para onde vão
Que acham o dia mais lindo que a noite e mesmo assim destroem tudo que vive
Destroem a si mesmos.

Ser diferente no mundo atual
É quase ser divino
É ser mais do que um ser humano perdido
É estar perdido, mas sabendo que existe uma casa em algum lugar.

E por fim...

O meu pastel é mais barato.

Retirado do blog : Moon the Blood, escrito por Dany.

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