quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!
Se eu morresse amanhã! - Álvares de Azevedo

Desaparecer. Como essa palavra tem sido tentadora, nos últimos dias. É claro que sabemos que minha vontade para tudo é sempre tão grande que eu não conseguiria mover um músculo, mas desejo profundamente que o sono embale meus pensamentos confusos e meu tão solitário caminhar. É como se todo o sentido da minha existência tivesse sido arrancado enquanto eu estava distraída, e quando dei-me por mim, já não sabia onde estava e o porquê. O choque de ver-me novamente perdida fez com que eu parecesse envelhecer anos, e não consigo parecer outra coisa senão cabelos enrolados atrapalhadamente, olhos fundos e sem vida, vestes apagadas e nem um pouco femininas. As pessoas estão dando indiretas - ou realmente diretas, mesmo! - quanto a meu comportamento e ando me sentindo como uma doente fora do hospício. Deveria um procurar ajuda lá? Talvez eu encontrasse alguém tão louco quanto eu, e pudesse finalmente me entender e cuidar desse alguém. Quem sabe...
Me perguntei hoje quem sou eu. E sabe qual a maior das surpresas? Eu não faço ideia! Não sei mais o que quero, o que sinto, do que gosto e para quê vivo. Acho que no fundo, agora que a minha necessidade de ter alguém está em sono profundo, acredito que vivo por uma certa obrigação, porque sei que se não ficar aqui, estou errada. E eu não suporto ser descoberta e punida - punida com palavras, que dilaceram minha alma -. Por isso tento me manter na linha. Em todos os sentidos. O céu nublado dos últimos dias parece só fortalecer ainda mais a certeza de que não há mais cores para dar vida na minha rotina, e não duvido se voltar a sentir tudo de novo, como um bebê que acaba de nascer, todas as sensações e emoções caso notar que ainda sobrou um resto de tinta para pintar essa tela enorme que é a vida. 
Mas por hora, só desejo continuar quieta na minha, esperando que minhas doenças, sendo psicológicas ou não, tomem conta do meu corpo até que esse maldito parasita nade livremente em meu sangue. Mas ainda vou cuidar daqueles que não me decepcionaram, esse é o meu dever. O fim dos meus dias, tenho certeza, será sem dores e repleto de amores.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O Conquistador

"Entrando e abalando todos os muros do velho castelo, com sua guarda ele foi se apoderando de cada pedaço de terra ali existente. Os servos foram rendidos, as armas, abaixadas. O estranho já havia tomado toda a fortaleza de grandes pedras escuras, mas ainda havia uma luz no alto da torre que fora esquecida. Galgando de dois em dois degraus, ia de encontro a senhora dos gélidos muros que nesse momento estava ajoelhada no altar, mirando a velha cruz de madeira rústica, quando se deu conta do outro ser que ali estava. Virando-se lentamente, encontrou o par de olhos mais escuros e profundos que já havia visto, aquele olhar determinado que não deixava dúvidas quanto às suas intenções. Estremeceu. E ele tomou seu rosto entre as mãos, enquanto com as pálpebras fechadas, a jovem esperava o ato violento que na verdade nunca viria. Não houve mortes, sequer um arranhão, mas sim um beijo. Um beijo que fez com que todas as muralhas erguidas há séculos caíssem, deixando apenas ruínas de uma solidão. 
Tomada pela nova sensação de pertencer a algo, passaram os dois a reinarem naquele castelo já então sem barreiras, tendo a esperança de que não só aquele castelo, mas também o país inteiro, agora estava em completa paz."

História inspirada nesse livro. sz

Esse castelo é meu coração. Sei que apesar de todas as dúvidas, os atritos, aquilo que é realmente verdadeiro não acaba, e eu espero dos mais profundos calabouços de meu castelo que seja eterno, pois me abri como julguei nunca ser capaz de fazer. Eu considerava tabu a palavra "amor" e, no entanto, me entreguei a ele numa fuga declarada. Vamos esperar a passagem do tempo, cultivar para que um dia possamos colher o fruto de tudo aquilo que um dia produzimos. 

Minha tattoo. Precisa dizer mais alguma coisa? xD

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Despedida/Lucidez

Por que você não é normal como todo mundo? Por que você não deseja coisas possíveis como todo mundo?

Somos uma pequena porcentagem.
Ovelhas negras em um mundo pintado com cal.
Monstros vistos de longe
Mas um bando de mocinhos na terra dos vilões
Perdidos, procurando por uma casa que não existe.
Por um mundo que nos entenda
Que saiba que nós existimos
Ou que nos esqueça de uma vez

Somos a verdade no meio de toda a mentira.
Somos mais que a futilidade, mais que os desejos tolos e humanos.
Mais do que só procurar pela felicidade eterna...
Viver em um tipo de tristeza desejando a felicidade...
Mas não acreditando nela.

Uma gota de piche nesse mar azul.
Nesse mar salgado.
Somos um bando de rebeldes
Rebeldes com causa
Rebeldes com vontade
Mas muitas vezes sem força

Somos rebeldes apenas com palavras de lamento
Palavras de desespero
-

Somos o contrário da sociedade
O contrário daquilo que nós vemos no mundo
Muitas vezes não sabemos o porquê
Somos aqueles que andam em busca da vida
Em busca da morte
Sem meio termos
Em busca de uma paz eterna e cerveja barata

E a nossa casa está longe
Não há um telhado de açúcar
Não há doçura
Há um porão vazio, um porão onde ficamos trancados pela vida
Sussurrando palavras de angústia
De tristeza
De infelicidade
Palavras que esquecemos quando vemos alguma luz
Ou um rato bagunçando nossos cabelos
No meio da escuridão

Somos uma dor irremediável
Somos gritos mudos
Gritos que reverberam apenas dentro de nós mesmos
Somos o medo, um medo inesgotável
Somos a paixão insaciável
Uma tristeza
Uma agonia infinita
Que simplesmente desaparece quando a esquecemos por um dia
-

Somos a verdade no mundo da mentira
A verdade da própria verdade
Somos mais do que pessoas que amam vampiros
Vão à cemitérios
Escutam música deprimente e
Cortam os pulsos.
Somos nós, algo diferente nesse mundo
Mas mais do que diferente, especial
Somos uma cultura vista por aqueles do lado de fora como algo anormal
Algo fora dos padrões, algo rebelde.
É a isso que sempre volta, a rebeldia.
Quando na verdade, é só um outro mundo que criamos dentro desse.
Longe da matança e das balas perdidas
Perto de fantoches sem cabeça e caixões estofados.

Por que você tem que desejar tanto?
Por que não pode ser como eles?
Todos eles, esses que estão realmente perdidos
Que não sabem o que querem
Que não sabem para onde vão
Que acham o dia mais lindo que a noite e mesmo assim destroem tudo que vive
Destroem a si mesmos.

Ser diferente no mundo atual
É quase ser divino
É ser mais do que um ser humano perdido
É estar perdido, mas sabendo que existe uma casa em algum lugar.

E por fim...

O meu pastel é mais barato.

Retirado do blog : Moon the Blood, escrito por Dany.

"Nox"

Acabou. Não consigo mais suportar a indiferença gritante que nos separa.
Como uma estrela que se apaga com o tempo, nosso amor perdeu o brilho que um dia teve. Mas considero-me feliz, ainda que haja sofrimento agora. Tive meu dia de felicidade, aquele que sempre sonhei e agora posso voltar a me matar tranquilamente.
Disse a mim mesma que esse é o fim, que não tem outro jeito; cansei de meu ciúme idiota, totalmente sem sentido por algo que foi meu apenas uma vez; a minha luz sumiu e tudo o que me resta é a escuridão de meus sonhos destruídos. O problema será quando a saudade bater na porta, me chamar e me tentar a abri-la e me entregar sem reservas, mas esse não é o momento certo. Sem ânimo para qualquer coisa, aproveito o tempo para me dedicar aos estudos, escolares ou não, na tentativa de reter o vazio e a vontade de dormir eternamente, algo que admito não estar muito distante.

"Uma imagem quebrada é às vezes o que vejo; mas não tem tanta importância assim: sinto-me ausente de mim."


Malfeito feito.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

14 de Agosto

Hoje faz exatamente um mês. No dia 14 do mês anterior, tive o dia mais perfeito de toda a minha vida, ainda que me culpe indiretamente por não tê-lo vivido melhor. O decorrer dos dias depois desse encontro tão especial foi marcado por inseguranças, ciúme, torpor, dor e lágrimas, e fico me perguntando o motivo pelo qual nossa relação mudou tanto. Não sei se na verdade o que aconteceu é que estamos há tanto tempo juntos que acabados ficando sem assunto, não sei, mas minhas tentativas frustradas de atenção só terminaram em pensamentos negativos com pequenas gotas de esperança. Ele me diz que sou tudo em seu mundo, que um homem que me nega não merece amor, que me ama mais que tudo; se isso é verdade, eu realmente não faço idéia. Mas eu queria poder acreditar cegamente, confesso. Eu sei que sou egoísta ao extremo, que o quero apenas para mim e que ele não fique dando bola para as cocotas amigas dele, rs. Enfim, isso realmente me magoa muito. Mas eu não sou dona de ninguém e não posso exigir nada disso, por isso fico sofrendo em silêncio, me contentando com um “Como está? Bem e você? Também.. [...]” e pequenos momentos de revelação. Quero senti-lo em meus braços de novo. Quero sentir o cheiro da pele macia, ouvir o coração acelerado bater. Ele é minha vida e nem sabe disso.
 Mas eu ainda tenho fé. Tenho fé de que irão existir outros sábados quentes como aquele, mais beijos roubados, sentir outra vez um movimento tão comum quanto o toque em minha perna.
Aguardo em meu transe devorando grossos livros de loucura, tentando encontrar a minha e saber o que realmente sou.

Escrito no dia 14 de setembro.*