Descobri que ainda tenho lágrimas para dar. Descobri que a solidão ainda está comigo. Descobri que os risos que eu dava não eram de alegria, mas sim de desespero. Descobri tanta coisa que já não cabe mais em mim!
Como tantas vezes, penso em deixar desvanecer-me, a deixar fluir o sangue tão ralo hoje nas minhas veias; até porque, sei que seria algo só meu, meu tormento foi-se com as breves chuvas desse caloroso inverno – ou deveria chamá-lo então, inferno? -. Minhas marquinhas de suicídio, foi assim que caracterizaram minhas cicatrizes. Admito que odiei saber que a notaram, mas também que tanto gostei, ao ver que alguém enfim tinha percebido meus pedidos de socorro. Quero sentir a dor. Quero que ela machuque minha carne e se vá com todas as minhas ânsias por um carinho que sei não poder ter. Quero um abraço – mas não um abraço comum -; quero um daqueles bem apertados, cheios de amor. Daqueles que se pode sentir todo o amor alheio, todo um carinho especial. Infelizmente, sei que SE eu ganhasse abraços, seriam de pena. E eu não a suporto.
Enquanto fico aqui, no escuro dos muros de me quarto, aproveito a falta de luz para não pegar algo pontiagudo, enfim. Mesmo que a minha vontade seja tatear tudo a minha volta, na esperança de encontrar qualquer objeto que consiga arrancar a dor que meu coração bombeia com tanta força. Sabe, hoje descobri também que livros só me deixam melancólica. Fazem-me sonhar com um amor que eu poderia ter, com saias negras de veludo e rosas incontáveis num jardim. Sabe, às vezes acredito que não pertenço a este tempo. Que meu verdadeiro lugar fosse como num conto como os que leio baseados na velha e boa Idade Média. Não preciso de luxúrias – não como festas, tênis de marca e outras futilidades de garotas da minha idade – porque até mesmo eu sei que precisamos, de vez em quando, de algumas luxúrias.
Escrevo na tentativa de acalmar-me nas linhas tecladas com tanta pressa. Hoje chorei como muito tempo não fazia, e parece-me que está sendo suficiente, pois me faz pensar. Por que nos sentimos tão só? Tão.. Abandonados nesse mundo. Se há milhões e milhões de pessoas, porque elas não se unem afinal?! Por que falta tanto amor?
Bem, quando achar as respostas para essas perguntas, prometo escrever aqui. Mas enquanto não as encontro, dêem-me licença, pois vou mergulhar agora no meu mundo particular. Numa terra de sonhos, vou procurar meu amor perdido pelos campos da Escócia, nos jardins dos belos casarões franceses, a beira do velho Sena. Mas essa já é outra história. Também prometo lhes contar.

Minhas marquinhas de suicídio, foi assim que caracterizaram minhas cicatrizes. Admito que odiei saber que a notaram, mas também que tanto gostei, ao ver que alguém enfim tinha percebido meus pedidos de socorro.
ResponderExcluirEste é apenas um trecho. Mas eu te juro que nunca antes me deparei com algo tão parecido com o que passa pela minha própria mente.
Sabe quando, por algum motivo que seja, você sente uma onda de carinho e simpatia tão grande por alguém que não consegue contê-la? Pois então, é o que eu senti agora por ti. E, mesmo que ela seja repentina e talvez passe em pouco tempo, eu só senti que gostaria de ter uma oportunidade realmente boa para conversar contigo - uma daquelas conversas longas, que são tão difícieis de ter-se com alguém hoje em dia.
♥
Num futuro breve, querida, iremos ter essa conversa. *-*
ResponderExcluirEu gosto muito de você. sz