segunda-feira, 27 de junho de 2011

Entre a Vida e a Morte

 Se tudo já chegou ao fim, bem, eu não sei dizer. 
 Talvez eu saiba que os braços da velha morte não são tão ruins assim e que eu poderia encontrar meu lugar então, mas como negar os sonhos malditos que ainda não morreram?




 Mas já não é mais da minha escolha. Tenho que enfrentar a consequência dos meus últimos atos cheios de luxúria, ainda que eu saiba que ela apenas mascarou uma pequena ilusão de amor.
Independentemente do tempo que eu tenho, sejam anos ou meses, não quero perder a ilusão, por mais que a realidade entre em minha casa e ferre com tudo colocado em tão perfeita ordem. 
 Se eu pudesse ter amor, ao menos agora, sei que tudo ficaria bem. Agora, mais do que nunca. Eu preciso saber que tinha um lugar aqui antes de partir. Sendo esse onde eu pudesse ser eu mesma, com todos meus sonhos malucos e em sua maioria muito improváveis, ainda que tão singelos. Tempos difíceis pedem medidas desesperadas.

 O tempo corre em mim como um veneno muito lento, me corroendo por dentro enquanto me condeno por poder estar levando mais alguém comigo para um triste fim. 


*Foto: COVEN Pictures Dark. As fotos certas nos momentos certos.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A Morte


Oh, venha me levar!
Oh, corra o mais que puder!
Me leve à terra dos mortos!
Rompa-me em partes
E conduza-me ao meu fim.

Toque-me com dedos gelados.
Ouse provar dos meus lábios.
Tire a imundice de minha alma.
Leve-me ao sonho de um amor negro.
Beba do meu sangue
E diga que me ama.

Foto: Google.

domingo, 29 de maio de 2011

O Despertar

Eu pensei que havia recuperado a razão. Que teus olhos já não mais fizessem efeito sobre mim e que eu poderia seguir minha vida como qualquer outra pessoa. Quanta ilusão. 
É difícil quando se cai na real. Todos os muros que construí a minha volta, todo esse castelo que aparentemente era sólido o suficiente para não cair de novo em suas garras desprezíveis e que me envenenam até o último fio de cabelo foi demolido sem dó. Esse amor doentio não morreu. 
Tive um sonho essa noite. E pensar que, em menos de 12 horas namorando, já sonhei em fugir para os braços de quem um dia me virou as costas! Talvez, se você não insistisse em querer me ver, em querer a minha suposta companhia, eu conseguisse me recuperar. Com um pedaço faltando, mas recuperar. Como uma velha que tem sua perna amputada, já não sigo mais para nenhum caminho correto, exceto sonhos e mentiras das quais tenho medo de admitir. E o que toda a ilusão que tenho vivido é, senão um grande tampão para o buraco feito em meu peito? 
Talvez eu o odeie tanto, mas tanto, que esse ódio se transforma em amor. 
Não sinto dor. Não sinto medo. Em relação a você, apenas sinto como um filho que cresce dentro de meu corpo, aumentando cada dia mais até explodir e revelar o verdadeiro monstro que é. Esse belo monstro que me traz de volta à felicidade e me faz viver. Seu nome? Meu mais verdadeiro amor. 

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Prece

So I lay my head back down
And I lift my hands and pray to be only yours
I pray to be only yours
I know now you're my only hope
Only Hope - Mandy Moore


  Eu deito todas as noites pensando no dia em que minha vida chegará no lugar. Não que já não tenha chegado, de certa forma. Todas as noites, oro para que você seja meu. Um amor, ah, como eu gostaria. 
  Rotina pesada, olhos com bordas fundas e levemente roxas. Já era esperado que alguém atarefada assim não tivesse tempo para dedicar a sua vida, seu anseio secreto e tão bem escondido atrás de pilhas de livros. Nua, é como me sinto. Sem dor, sem ansiedade, sem o maldito amor. Mas meu peito ainda é capaz de verter, ainda que poucas, lágrimas de um desejo que parece nunca se realizar. 
  E de uma vez por todas, não quero sonhar! Só quero fatos, ali, concretos, na palma de minha mão. É como se uma parte de mim tivesse morrido. A melhor parte de mim. Eu vivi em um tempo distante e que hoje se parece mera ilusão, e os dias só me mostram o quanto estou condenada a passar o resto de meus dias enclausurada naquilo que chamam de solidão. 


Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.
Oscar Wilde

domingo, 22 de maio de 2011

O Último Adeus


Você trancou a porta pela última vez. O que será feito de nós? Eu não sei, pois nasci desfeita. Suas palavras
permeiam a minha mente sã. Eu não deveria já estar acostumada com doces palavras de adeus?
Nos meus sonhos ainda tento achar uma saída para esse pesadelo noturno. Como vou conseguir estancar uma ferida, se nem ao menos sei aonde ela se encontra? A única coisa que sei, é que ainda sinto muito a sua falta. Volte logo para mim...pois meus braços continuam vazios. Eu já não tenho mais seu coração. Me sinto abandonada e vazia. Uma sombra formada na parede.
Oh, como fazer para ficar completa? O que dizer se minhas palavras morreram na minha garganta? Como agir se meu cérebro se recusa a me obedecer? Diga-me...como deixar de amar você.

Foto: Google.