Eu pensei que havia recuperado a razão. Que teus olhos já não mais fizessem efeito sobre mim e que eu poderia seguir minha vida como qualquer outra pessoa. Quanta ilusão.
É difícil quando se cai na real. Todos os muros que construí a minha volta, todo esse castelo que aparentemente era sólido o suficiente para não cair de novo em suas garras desprezíveis e que me envenenam até o último fio de cabelo foi demolido sem dó. Esse amor doentio não morreu.
Tive um sonho essa noite. E pensar que, em menos de 12 horas namorando, já sonhei em fugir para os braços de quem um dia me virou as costas! Talvez, se você não insistisse em querer me ver, em querer a minha suposta companhia, eu conseguisse me recuperar. Com um pedaço faltando, mas recuperar. Como uma velha que tem sua perna amputada, já não sigo mais para nenhum caminho correto, exceto sonhos e mentiras das quais tenho medo de admitir. E o que toda a ilusão que tenho vivido é, senão um grande tampão para o buraco feito em meu peito?
Talvez eu o odeie tanto, mas tanto, que esse ódio se transforma em amor.
Não sinto dor. Não sinto medo. Em relação a você, apenas sinto como um filho que cresce dentro de meu corpo, aumentando cada dia mais até explodir e revelar o verdadeiro monstro que é. Esse belo monstro que me traz de volta à felicidade e me faz viver. Seu nome? Meu mais verdadeiro amor.

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