terça-feira, 26 de abril de 2011

Bittersweet Dreams

“O silêncio abateu-se sobre a ruiva que olhava incrédula para a figura pregada na parede, juntamente com outra que não sabia definir. Não, não poderia ser ele... Todos, menos ele. Quando o rosto se virou e a olhou diretamente nos olhos, suas pernas fraquejaram, e por um momento seu mundo pareceu desabar. Respirando profundamente, um sorriso sem emoção surgiu, mínimo, antes que ela se virasse e continuasse seguindo para um lugar qualquer. Era preciso manter as aparências, afinal, de nada podia reclamar. Ele estava certo. Com o coração pesando toneladas, arrastou-se para longe dali, sem chorar, como se o rio de sua vida houvesse secado.”

 –––  x  –––

“Olhos doendo. Não gostava de ficar logo abaixo da luz, mas não tinha coragem de ir para a cama. Deitada no sofá, pensava, pensava, quase sonhava. Estava serena e sua imobilidade poderia ser referida ao sono, mas seus olhos estavam abertos e a mente, consciente.  Já estava há quase uma hora daquele jeito, uma mania quando as coisas não iam bem. Ele já estava na casa há algum tempo, trancado em seu quarto. Suspirou.  Não sendo roubada de seu devaneio, ele passou sem que ela olhasse diretamente, mas foi forçada quando ele parou.

–– Posso me sentar?

Afastando-se mais para o encosto do sofá, deixou a beira livre para que ele se sentasse, mas evitava olhar para seus olhos, principalmente. Vendo o quadril equilibrar-se ao lado do seu,  o olhou ligeira no rosto, antes que ele sussurrasse, pousando a mão sobre a sua.

–– Desculpa.

O toque dele machucou-a. Não com feridas físicas, mas como se aquele simples ato tocasse sua alma reprimida. Afastando a mão, fechou os olhos como uma forma de se concentrar, deixando a mão que estava sobre a barriga pender para fora do estofado. Apesar de conseguir recuperar a calma para falar, não conseguia evitar respirar pesado, ainda que tivesse quase certeza de que isso não o faria perceber seus sentimentos.

–– Não sei porquê.

Ela disse, a voz baixa e amena, com a luz lhe incomodando mesmo com os olhos fechados. Aquela sensação de claridade insuportável. Foi quando tudo escureceu. Sem entender, mas sem coragem de abrir os olhos, sentiu algo lhe fazer carinho no rosto, algo que definitivamente não eram mãos. Aguardando, foi surpreendida com lábios macios que tocavam os seus, pressionando-os de leve, quase que com medo. Abriu os olhos correndo. O carinho vinha dos cabelos que caíam ao lado da face magra, que tinha os olhos fechados e impenetráveis por trás dos típicos óculos. Seu corpo ardeu como em chamas.”

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O que eu faria depois? Não faço idéia. Acho que ficaria tensa demais, e assim sem coragem para dizer um A. Medo, pra que te quero? 
Por mais que eu o adore, queira estar perto, não consigo te imaginar como sendo meu. Sendo assim, só me resta ter devaneios loucos e cheios de dor, tal como esse que me marcou e decidi transformar em palavras. 

4 comentários:

  1. Sei bem como é isso.
    É estranho quando nos acostumamos com uma situação, e depois ela se reverte a nosso favor.
    Os textos mais bonitos, são aqueles que escrevemos com a alma.
    Lindo texto.
    P.S.:Acho que se fosse eu, acabaria recuando e fitando-o nos olhos.
    Tenha uma ótima semana. ;)

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  2. Lindo seu texto...Escrito com a alma mesmo como disse a Ana Paula..
    Bjos

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  3. Posso dizer? Fiquei sem palavras. Não há absolutamente nada que eu diga aqui que chegue perto do que eu senti ao ler.

    E sabe o que mais? Seu blog está a cada dia mais deslumbrante. ♥

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  4. Sei lá. Acho que eu entraria em pânico se os meus sonhos se realizassem.

    Concordo com a Ariane, sério. Seu blog está cada vez melhor. ♥

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