Os olhos tentavam impedir que a tempestade passasse dali, não deixando que seu rosto, mutilado, fosse manchado por quentes e salgadas lágrimas. Mas se eram essas de alegria, teria por que escondê-las?! O principal motivo era que não queria, não podia deixar que ele percebesse toda sua fraqueza, toda a sua necessidade de tê-lo por perto a cada segundo de sua vida. Ele era, sem sombra de dúvidas, o único motivo pelo qual ainda estava ali - sozinha desde sempre, não tinha motivos para viver.
Sorriu. Um sorriso incontido, confortador e livre de desejos proibidos; ali, agora, existia apenas a paz, o amor e algo que não poderia ser esquecido: o encantamento. Ainda que ele fosse apenas um ser humano, seu coração gigante exposto em um grande par de olhos negros a deixava estonteada, fazia com que seu destroçado coração voltasse a pulsar rapidamente e que ele sentisse o peito esquentar, como quando vemos algo extremamente raro nos dias de hoje, como o carinho ao próximo, talvez; mas infinitamente maior.
Vergonha. Apesar de conhecê-lo na essência, poder estar frente a frente com ele a deixava um tanto quanto insegura, ainda que soubesse que caso ele não a quisesse da forma como o queria, poderia amá-lo secretamente e para sempre estar ao seu lado como amiga - ainda que não aguentasse por muito tempo.
Esfregando as mãos, desviou o olhar para baixo antes de cumprimentá-lo com um abraço nem fraco nem forte, estremeceu. A pele, o cheiro, tudo aquilo a convidava e a chamava como num momento de hipnose; não conteve a vontade de beijar o rosto macio, pressionando os lábios contra a bochecha rósea e ali permanecendo por certo tempo. As lágrimas, teimosas, escapavam sem permissão e a garota limpava-as com as mãos ao tentar esconder seu sentimento que seria agora esquecido: a solidão.
E conversamos, rimos, brincamos... Nos apaixonamos cada vez mais."
É assim que imagino o nosso encontro, meu bem. E é difícil não admitir que consigo não chorar ao pensar nesse momento, e que de tanto senti-lo, acabar não tendo horríveis enjoos e quase perdendo o ar. Não sei porque me sinto assim, uma vez que esse amor que eu sinto devia ser algo muito bom (e é, eu sei!), mas acho que fico desse jeito por não saber quando eu irei vê-lo ao até mesmo se isso vai acontecer algum dia. Entrego-me a uma vaga esperança de que, mesmo depois de muito tempo, você me ame. E se estou aqui escrevendo algo patético, pelo menos tenho um ponto a meu favor: é um tipo de terapia pra mim, não posso ter medo de ser inocente ou algo parecido. Sei muito bem o que dizem "sonhos são apenas sonhos.. " Mas não seria a melhor maneira de perder-me? Eu estou insegura, preciso me firmar.
Talvez eu saiba de algum lugar no fundo de minha alma
Que o amor nunca dura
E nós temos que arranjar outros meios de seguir
em frente sozinhos ou continuar com uma cara boa
E eu sempre vivi assim
Mantendo uma distância confortável
E até agora eu jurei pra mim mesma
Que eu era feliz com a solidão
Porque nada disso nunca valeu o risco
Você é a única exceção.
The Only Exception - Paramore

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Que narrativa instigante,foi de me tirar o fôlego. Enquanto lia pude imaginar e sentir. Divino
ResponderExcluirQue bom que gostou, principalmente que conseguiu entrar dentro da história. Obrigada. (:
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